RAP na Prisão - Um Grito de Liberdade
- Felipe Nascimento
- 15 de jan. de 2017
- 2 min de leitura

Muita gente diz que o RAP salva mais vidas do que os projetos sociais do governo. Eu concordo. Milhares - ou talvez milhões - de pessoas largam o crime e as drogas para se dedicar ao RAP. Porém há outros preferem, por algum motivo, continuar envolvidos com essas paradas. Alguns rappers alegaram ter abandonado a vida antiga para seguir somente fazendo música e exercendo atividades legais. Enquanto outros rappers, mesmo depois da fama, tiveram suas passagens pela cadeia, por conta do porte de drogas ou algum outro motivo.

No Brasil temos casos famosos de prisão de artistas do RAP, como o episódio envolvendo os integrantes do Planet Hemp, em 1997, acusados de fazer apologia ao consumo de maconha. O cantor Mano Brown, do Racionais MC's, também teve suas passagens pela delegacia, assim como DMX e T.I., dois nomes bastante frequentes nos noticiários dos EUA.

Lil Wayne e Ja Rule tiveram sua dose de cana. Os dois rappers norte americanos foram sentenciados a cumprir regime fechado. Ambos por posse de arma. Nos dois casos, os artistas estavam com seus discos prontos para ser lançados e os acontecimentos não mudaram seus planos. O disco I Am Not A Human Being, de Lil Wayne, foi lançado digitalmente no dia 27 de setembro de 2010 e estreou na segunda posição da Billboard 200, com 110 mil cópias vendidas na primeira semana. Enquanto o disco do Ja Rule, intitulado Pain is Love 2, vendeu 3.200 cópias nos primeiros sete dias. Além desses dois casos, temos a polêmica prisão do rapper 2Pac, que foi preso em 1995 sob acusação de abuso sexual. O caso não foi o único na ficha da lenda da west coast, antes disso, ele teve outras seis passagens pela delegacia. Enquanto cumpria pena em 1995, ele lançou o álbum Me Against the World, que completou 20 anos de lançamento em 2015 e vendeu 2.4 milhões de cópias até aquele ano (somente nos EUA).

Gravar um disco em liberdade e lançar enquanto cumpre pena é uma coisa, mas GRAVAR UM DISCO ATRÁS DAS GRADES é muito mais difícil. O pessoal do 509-E, extinto grupo paulista, conseguiu essa façanha. E além disso, os caras fizeram um sucesso do caralho! Lá de dentro da cela, o grupo composto por Dexter e Afro-X vendeu milhares de discos e até venceu o prêmio Hutúz na categoria Revelação do Ano. Foda, né? Após a separação do grupo e antes de deixar a prisão, Dexter lançou um álbum solo, intitulado Exilado Sim, Preso Não, que também foi premiado no Hutúz, dessa vez, na categoria Melhor Álbum.

Na mesma pegada do 509-E, um grupo com um nome bem sugestivo, o Detentos do Rap, lançou seu disco de estréia chamado Apologia ao Crime (1998), que vendeu mais de 30.000 cópias em um ano. Histórias como a do 509-E e a do Detentos do Rap nos fazem acreditar que a força de vontade é o ingrediente principal para o sucesso. Esses caras mandaram muito bem. Um salve para esses grupos que se redimiram e fizeram história em um ambiente que só te oferece insegurança e desespero.
Texto originalmente publicado no blog Rap Viral.



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